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Reino Maravilhoso

25
Mar21

O Doiro - Miguel Torga

Fer.Ribeiro

O Doiro 

 

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O DOIRO

 

Começa em Miranda e acaba na Foz, este calvário. Começa em pedra e água, e acaba em pedra e água. Como nos pesadelos, não há nenhum intervalo para descansar. Entra-se e sai-se do transe em plena angústia.

 

No Portugal telúrico e fluvial não conheço outro drama assim, feito de carne e sangue. Drama cruciante e ciclópico, que é o embate de duas forças brutas no primeiro acto, um corpo-a-corpo de vida ou de morte no segundo, e uma espécie de triunfo da fatalidade no terceiro, como pano do mar a cair.

 

As coisas grandes têm uma arquitectura grande e uma significação maior ainda. Assim acontece com esta moralidade grega, onde os Sísifos e os tonéis das Danaides são ao natural, que, mercê da sua configuração íntima e fisionómica, de simples acidente corográfico ascende à transcendência dum purgatório, com almas condenadas às galés dos barcos rabelos e às penas dos saibramentos.

 

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Doiro, rio e região, é certamente a realidade mais séria que temos. Nenhum outro caudal nosso corre em leito mais duro, encontra obstáculos mais encarniçados, peleja mais arduamente em todo o caminho; nenhuma outra nesga de terra nossa possui mortórios tão vastos, tão estéreis e tão malditos. Basta sentir no corpo, uma só vez, a dentada daquelas fragas que devolvem ao céu, agressivamente, a luz recebida, ou molhar os pés na levada barrenta que o garrote dos espinhaços tenta estrangular, para se ver que não há desgraça maior dentro da pátria, nem semelhante via-sacra de meditação. De ponta a ponta do ano nenhuma bênção possível mitiga a crucificação do sofrimento. No Verão, um calor de forja caldeia o xisto e transforma a corrente numa alucinação de lava a mover-se; no Inverno, até os olhos das videiras choram de frio. Beleza não falta em qualquer tempo, porque onde haja uma vela de barco e uma escadaria de Olimpo ela existe. Mas a própria beleza deve ser entendida. Não é subir aos restolhos de Lagoaça, contemplar o abismo, e quedar-se em êxtase. Não é espreitar de S. Salvador do Mundo o Cachão da Valeira, e sentir calafrios. Não é descer de Sabrosa para o Pinhão, estacar em S. Cristóvão, e abrir a boca de espanto. Não é ir a S. Leonardo de Galafura ou ao miradoiro de S. Brás, olhar o caleidoscópio, e ficar maravilhado. É compreender toda a significação da tragédia, desde a tentação do cenário, à condenação de Prometeu, ao clamor do coro.

 

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Ser nesse chão árido e hostil um novo criador de vida, dar aí uma resposta quotidiana à morte, transformar cada ravina em parapeito de esperança e cada bagada de suor em gota de doçura – eis o que o Titã ensinou aos homens, e o que Zeus lhe não perdoou. Por isso o seu perfil rebelde é o próprio perfil dos montes, do seu coração mordido corre o sangue da perpétua agonia, e da boca das suas criaturas agradecidas se levanta um protesto indignado. Mas o céu é surdo. E enquanto a águia do destino continua a devorar o gigante, de croças e tesouras na mão, ou arregaçados nos lagares, ou de vindimeiro às costas, os discípulos do grande revoltado vão-no vingando, seguindo-lhe a lição.

 

Patético, o estreito território de angústia, cingido à sua artéria de irrigação, atravessa o País de lado a lado. E é, no mapa da pequenez que nos coube, a única evidência incomensurável com que podemos assombrar o mundo.

 

Miguel Torga, in Portugal (1950) – O Doiro

 

 

 

 

11
Fev21

Mogadouro

Fer.Ribeiro

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Mogadouro – Bragança

 

A nossa proposta de hoje para um dia de passeio a partir de Chaves, com ida e volta no mesmo dia, vai para o distrito vizinho de Bragança, para o Mogadouro.

 

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Mogadouro fica a 128Km de Chaves, a 1H48 de viagem (seguindo as regras de trânsito e sem paragens), via Valpaços, Mirandela e Alfandega da Fé. O regresso poderá ser feito pelo mesmo caminho, mas recomendo pequenas variantes para outras possíveis visitas de interesse. Mas para além das imagens que vos deixo,  vamos saber mais um pouco sobre o Mogadouro, como habitualmente com recurso ao que nos diz a página oficial do município.

 

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Área: 760,6 km2

Altitude Média: 700 m

População: 9.025 habitantes

 

Localização

No Nordeste do território nacional, integrado no distrito de Bragança, o concelho de Mogadouro faz fronteira com Espanha ao longo do rio Douro. Encaixado entre o vale profundo do Douro e a bacia do Sabor, ocupa o prolongamento do Planalto Mirandês que, por sua vez, dá seguimento ao Planalto Leonês (região de Zamora e Salamanca).

 

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Paisagem

Em toda a zona mais próxima do rio Douro alternam-se os grauvaques e os granitos, apresentando-se estes, ora em grandes blocos, ora sob a forma de areão proveniente da sua desagregação. O relevo, é constituído por uma sucessão de colinas onde predominam os xistos grauváquicos interrompidos por alguns afloramentos quartzíticos, que se elevam na paisagem formando serras. Já a Sul abundam os xistos pardos, que também são dominantes na bacia do Sabor. Estes solos, e as características do clima, proporcionam um coberto vegetal abundante e diversificado, que atribui à paisagem um manto de belíssimas colorações que se alteram com as estações do ano.

 

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Clima

Os Invernos são, aqui, relativamente rigorosos, sobretudo na zona central do concelho, mais sujeita aos ventos do que as zonas protegidas do vale do Douro e da Bacia do Sabor. As zonas mais elevadas, a Sul e Sudoeste, sujeitas a alguma influência atlântica, são mais húmidas, razão porque se encontra a Sul o castanheiro e a Sudoeste o carvalho cerquinho. O verão, relativamente curto, surge quente e seco. A primavera e o Outono, frescos e bem demarcados, emprestam à paisagem a beleza das cores matizadas dos matos floridos de branco, amarelo e violáceo ou das folhosas outonais em tons de cobre e ferrugem. Na riqueza do coberto vegetal, é bem patente, ao longo de todo o ano, o cruzamento dso climas continental e mediterrânico, com alguma influência atlântica.

 

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População

Neste contexto de diversidade e beleza paisagística vive uma população eminentemente rural, cujas principais actividades são a agricultura e a pecuária. Aqui cultiva-se o olival, a vinha, o trigo e algum centeio, as hortas junto às linhas de água e a castanha mais para o Sul. Na pecuária, o destaque vai para o gado bovino, actualmente sobretudo na produção de leite. Quanto à carne, salientamos a qualidade do gado Mirandês que deu origem, na gastronomia, à já célebre Posta Mirandesa. Para além do gado bovino, os caprinos e os ovinos assumem, também, neste concelho, uma relativa importância nas economias familiares, produzindo carne, lã e leite. Da origem remota desta população laboriosa, conhecem-se vestígios arqueológicos que nos fazem recuar até ao Neolítico. Quanto à história mais recente deste concelho, não podemos deixar de lembrar a importância do papel desempenhado pelas praças fortes de Mogadouro e Penas Roías na defesa da fronteira contra as invasões castelhanas, tendo constituído, por isso, e dada a sua localização, um apoio precioso na formação a nossa nacionalidade.

 

Concelho eminentemente rural, de uma beleza agreste e doce, povoado de gente sã, afável e laboriosa, herdeira de um carácter nobre e de uma história rica e antiga, assim poderíamos caracterizar este pedaço do território nacional.

 

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Situação

Situado no Nordeste Transmontano, no Planalto Mirandês, entre os Rios Douro e Sabor.

 

Limitado pelos concelhos de Vimioso, Miranda do Douro, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo, e Freixo de Espada à Cinta e pelos Ayuntamientos ribeirinhos do Douro, de Salamanca e Zamora.

 

Concelho extenso, 760,6 Km2, com 21 freguesias, 56 povoações, com 9.025 habitantes. Altura máxima de 992m na Serra da Castanheira, e uma altitude média de 700m. Dista 85 Km da capital de distrito - Bragança.

 

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História

O Concelho de Mogadouro apresenta um povoamento antigo que pode ser recuado aos tempos pré-históricos. A documentar essa ocupação estão os povoados do Barrocal/Alto e do Cunho, os monumentos megalíticos de Pena Mosqueira, Sanhoane, Barreiro, Modorra, a arte rupestre da Fraga da Letra, em Penas Roias, e outros achados dispersos que encontramos na Sala Museu de Arqueologia da Vila.

 

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Economia

Concelho cuja economia assenta na agropecuária. A agricultura de jardim complementa os rendimentos de muitas famílias. O sector leiteiro com produções diárias superiores a 100.000 litros é um esteio de economia do concelho. O azeite do vale do Sabor, as uvas do vale do Douro, a cortiça, a lã, o mel, os enchidos, a carne mirandesa certificada e outros fazem a riqueza do concelho de Mogadouro.

 

Foral

D. Afonso III concedeu-lhe o primeiro foral em 1272, renovou-o no ano seguinte. Em 1512, D. Manuel outorgou-lhe foral de novo. Em 20 de Novembro de 1433, a Vila de Mogadouro é doada a Álvaro Pires de Távora passando a estar desde então, associada à família dos Távoras. Os Távoras iniciaram uma ascensão notável e, alcançando o titulo de Marqueses, assumiram um papel importante e influente na região.

 

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Património

Na vila de Mogadouro é indispensável uma visita ao seu centro histórico onde encontramos o Castelo de Mogadouro, a igreja Matriz de origem românica, apesar de ter sido substituída pelo templo que hoje podemos apreciar no centro da vila, a igreja da Misericórdia, o pelourinho, o Solar dos Pegados e o Convento de S. Francisco, contíguo à igreja com o mesmo nome, cuja fundação remete para as primeiras décadas do século XVII e se deve a D. Luis Álvares de Távora.

 

Dispersos pelo concelho, os castros, as igrejas com origens românicas como Algosinho e Azinhoso, os pelourinhos, e as próprias construções tradicionais que podemos descobrir pelas aldeias do concelho são marcas indeléveis de um património vasto e extremamente rico.

 

 

 

Consultas: https://www.mogadouro.pt/ em 11/02/2021

18
Dez20

Reino Maravilhoso - Vila Flor

Fer.Ribeiro

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Vila Flor – Vale da Vilariça - Bragança

 

Hoje nesta rubrica do Reino Maravilhos do Douro e entre os montes,  vamos para uma vila localizada num dos vales mais famosos de Trás-os-Montes e de Portugal, numa proposta, como habitualmente acontece, para um passeio de um dia com partida e regresso à cidade de Chaves, vamos até Vila Flor no Vale da Vilariça.

 

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Como agora Portugal inteiro sabe e está na moda percorrer, a N2 tem o seu Km 0 em Chaves e termina em Faro, no algrave, agora o que já nem todos sabem é que Chaves tem outros Km 0 (zero) de estradas nacionais, como o Km0 da R314 e o Km0 da N213 que curiosamente começam em Chaves e terminam em Vila Flor. Assim e dando um toque romântico a esta nossa deslocação até Vila Flor, vamos propor precisamente o percurso completo destas duas estradas, com ida por uma das estradas e regresso pela outra. Não é com certeza o percurso que qualquer GPS indicará, mas até é o mais curto e pela certa bem mais interessante, com ida e volta num total de 163Km para fazer em 3 horas, isto cumprindo as regras de trânsito. Ora tanto faz ir ou vir por qualquer das estradas indicadas, mas vamos partir do principio que para lá vamos pela N213, com o seu Km0 da rotunda do Raio X, depois não há nada que enganar, basta seguir em direção a Valpaços, passar por Mirandela e aqui sair em direção a Vila Flor com passagem por Frechas. No regresso a Chaves, tem de se tomar a saída de Vila Flor em Direção a Murça, com passagem por Abreiro e Candedo. Depois em Murça sai-se em direção a Jou, Carrazedo de Montenegro e quase logo a seguir começa a descer para Chaves, com chegada ao Km0 da R314 naquela rotunda que não é rotunda (mas devia ser) que fica quase logo a seguir ao aeródromo e a cerca de 100m da rotunda do Raio X, ou seja que termina na N213 que nos levou até Vila Flor.

 

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Vamos então até Vila Flor no Vale de Vilariça e para não estarmos para aqui a inventar, fomos aos sítios oficiais da internet de Vila Flor e de Moncorvo para vos deixar um pouco da história de Vila Flor e sabermos mais um pouco sobre o Vale da Vilariça.

 

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Capital do Azeite, no coração da Terra Quente Transmontana, a Sul do Distrito de Bragança, Vila Flor conta com cerca de 7 mil habitantes, distribuídos por 14 freguesias, numa área total de 272 Km2.

D. Dinis, Rei Poeta, aquando da sua passagem por este burgo, até então denominado por "Póvoa d´Álem Sabor", ficara encantado e rendido à beleza da paisagem e, em 1286, carinhosamente a re-baptizou de "Vila Flor". Cerca de 1295, D. Dinis manda erguer, em seu redor, em jeito de proteção, uma cinta de muralhas com 5 portas ou arcos. Resta o Arco de D. Dinis, monumento de interesse público.

 

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A Idade Média deste “ramalhete de cravelinas e bem-me-queres”, como lhe chamou Cabral Adão, é florescente, recebendo especial impulso com o acolhimento de famílias judaicas fugidas às perseguições europeias e que aqui foram desenvolvendo a agricultura, o comércio e as indústrias de curtumes e ourivesaria. D. Manuel I viria, mais tarde, a atribuir novo Foral a Vila Flor, reformulando o anterior, em Maio de 1512, o qual pode ser apreciado no Museu Municipal D.ra Berta Cabral. De carácter anti-judaica, a politica de D. Manuel I significa a expulsão dos judeus do Concelho mas ainda podem ser apreciadas ruínas de habitações e pedras da calçada das Ruas Nova, do Saco e da Portela, herança deste período remoto.

 

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Rico em história, tradições, monumentos e gentes, o Concelho é também referência pela excelente qualidade dos seus produtos agrícolas que brotam do fértil Vale da Vilariça. Empresas como as Frize e a Sousacamp, conhecidas dentro e fora das fronteiras lusas, também fazem parte do património desta terra. Famosos na arte de bem receber, os alojamentos em Vila Flor incluem, Hóteis, Agro Turismo e Turismo Rural. No verão, este "burgo alpestre" é procurado por centenas de turistas oriundos de vários cantos do país e estrangeiros, pela riqueza verdejante do seu Parque de Campismo.

 

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Vale de Vilariça

O vale da Vilariça corresponde a uma falha tectónica preenchida pelos aluviões originados pelas cheias – localmente denominadas de “rebofas” – provocadas pelo refluxo das águas do Sabor e da ribeira da Vilariça em alturas de cheias no Douro. Os terrenos fertilizados por estas cheias tornam-se ubérrimos.

 

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Ficaram famosas por todo o país e além-fronteiras as enormes produções de linho cânhamo (desde a Idade Média), cereais e produtos hortícolas, particularmente o melão, o feijão e o grão. São, igualmente conhecidas as experiências com a produção de tabaco. A partir do séc. XX, o cultivo da vinha tornou-se dominante, restando, na atualidade poucos espaços para a produção de outras culturas. Recentemente, tem-se assistido ao ressurgir da produção hortícola no vale, com destaque para a abóbora, o melão, as couves, o feijão, o tomate, os morangos.

 

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É importante referir que este vale é uma importantíssima linha migratória para as aves, devido aos cursos de água aí existentes – Ribeira da Vilariça e o Ribeiro Grande – e as suas albufeiras de rega.

 

Desfrute deste belíssimo território, que se estende pelos concelhos limítrofes de Vila Flor, Alfândega da Fé e Mogadouro.

 

Consultas

https://www.cm-vilaflor.pt/ - Consulta em 17-12-2020

http://www.cm-moncorvo.pt/ - Consulta em 17-12-2020

 

 

 

21
Nov20

Padroso - Montalegre - Barroso

Aldeias do Barroso

Fer.Ribeiro

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PADROSO - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Padroso.

 

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Padroso que é uma das aldeias que já está implantada em plena Serra do Larouco e que faz parte de um conjunto de aldeias que rodeiam a serra, que do lado português da mesma, em plena serra ou nas suas faldas tem Sendim, Padroso, Padornelos, Gralhas e Santo André.

 

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As três primeiras aldeias, Sendim, Padroso e Padornelos estão todas localizadas acima dos mil metros de altitude, no entanto a mais alta é Sendim, que não só e a mais alta do concelho de Montalegre, como também é a mais alta do Barroso e de Portugal ao atingir os 1170 metros de altitude junto ao que me parece ser uma antiga casa florestal. Isto a considerar as construções hoje existentes, pois se recuarmos no tempo até ao tempo em que Sendim tinha o seu castelo, então aí atingia os 1268m de altitude. Mas hoje estamos aqui por Padroso, que fica mesmo ao lado de Sendim, a apenas uma reta de distância (na estrada principal) e numa cota ligeiramente mais baixa, pois Padroso, no ponto mais alto da aldeia, atinge os 1045m de altitude.   

 

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Terras altas, terras frias, estas sim, sem qualquer dúvida são aldeias do Alto-Barroso, onde nasce o Rio Cávado que irá atravessar todo o Barroso para depois seguir a sua vida por terras minhotas e atravessar 9 concelhos, muitas aldeias, algumas vilas e cidades até desaguar no oceano atlântico junto a Esposende, mas a primeira aldeia que o Cávado conhece é aldeia de Padroso, implantada na sua margem direita.

 

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Rio Cávado que é um dos principais rios portugueses nascidos em Portugal e que corre livre e feliz pelo menos até Sezelhe, onde é aprisionado pela primeira vez, depois a cantiga é outra e em menos de 100km, alimenta meia-dúzia de barragens, 3 ou 4, se considerarmos a de Sezelhe, são no concelho de Montalegre (Paradela, Venda Nova e Salamonde).

 

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Voltando outra vez à aldeia de Padroso, gostámos do que vimos, e pelos visto não vimos tudo. Tem o seu núcleo antigo perfeitamente definido e a manter a sua integridade como aldeia típica barrosã, com os seus elementos mais típicos, como o forno do povo. A aldeia “nova”, desenvolveu-se ao longo da estrada de acesso à aldeia antiga, tal como deveria acontecer na maioria das aldeias. Claro que a aldeia antiga também tem alguns pecados cometidos no seu seio, mas quem não os comete, também nós cometemos um, e ainda bem, pois assim temos um pretexto para voltar a Padroso, pois é imperdoável não termos imagens da igreja e mais uns pormenores que entretanto soube que tem por lá, como umas alminhas que faltam na minha coleção. Assim, quem sabe se na próxima nevada não vamos por lá, isso se entretanto a porcaria do bicho que anda por cá nos deixar sair do concelho…  

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Padroso que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre a aldeia no post que lhe dedicámos, fica um link para o post logo após o vídeo, ao qual passamos de imediato. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Padroso:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Pai(o) Afonso.

 

 

19
Nov20

FREIXO DE ESPADA À CINTA

Fer.Ribeiro

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FREIXO DE ESPADA À CINTA

 

Neste Reino Maravilhoso do Douro e entre os montes, hoje vamos até Freixo de Espada à Cinta, dando a conhecer mais um pouco do nosso território aquém Douro

 

A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que, oficialmente, vai de Vila Real a Montalegre, de Montalegre a Chaves, de Chaves a Vinhais, de Vinhais a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Freixo, de Freixo a Barca de Alba, de Barca de Alba à Régua e da Régua novamente a Vila Real, mas a que pertence Foz Côa, Meda, Moimenta e Lamego – toda a vertente esquerda do Doiro até aos contrafortes de Montemuro (e sublinho agora esta frase) carne administrativamente enxertada em corpo alheio que através do Côa, do Távora, do Varosa e do Balsemão desagua na grande veia-cava materna as lágrimas do exílio”.

Miguel Torga in “Portugal”

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Claro que estas abordagens ao Reino Maravilhoso surgem também com a intenção de deixar aqui um convite à sua descoberta, que em suma é a descoberta da nossa região, afinal aqui tão perto e que para nós flavienses são destinos a uma ou duas horas de viagem, para fazer nas calmas de um dia. Para esta viagem até Freixo de Espada à Cinta, com partida da cidade de Chaves, ida e volta, são 374Km, e 6 horas de viagem, isto segundo os cálculos dos mapas Google, a velocidades moderadas e dentro da lei. Como quase sempre, nunca fazemos os regressos pelo mesmo sítio e assim a descoberta também é mais abrangente. Embora o nosso destino Seja Freixo de Espada à Cinta, para lá chegarmos e regressarmos a casa, iremos passar por outras localidades, como Valpaços, Mirandela e Alfândega da Fé, na ida, e por Mogadouro, Macedo de Cavaleiros e Torre de Dona Chama no regresso a casa.

 

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Como o nosso destino de hoje é Freixo de Espada à Cinta, deixemos aqui um pouco da sua história, tal qual nos é oferecida na página oficial do Município da vila:

 

A origem da Vila de Freixo de Espada à Cinta perde-se nas brumas dos tempos estando a sua fundação e toponímia encobertas pela nebelina que sempre envolvem as lendas. Todavia vários historiadores afirmam que os Narbassos, povo ibérico pré-romano mencionado por Ptolomeu, habitavam toda esta zona da Península, pressupondo-se assim a existência desta povoação anterior à fundação do Reino de Portugal.

 

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Ao longo dos séculos muitos acontecimentos históricos ocorreram neste concelho como por exemplo, a guerra que D. Afonso II sustentou com suas irmãs protegidas de Afonso IX de Leão e como consequência foi esta terra tomada e saqueada em 1211 pelas forças leonesas. Mais tarde, em 1236 no reinado de D. Sancho II, veio pôr-lhe cerco o Infante D. Afonso filho de Fernando III de Castela, mas desta vez os habitantes de Freixo defenderam-se com grande valentia conseguindo romper o cerco vendo-se os castelhanos obrigados a levantar o cerco e bater em retirada. Como recompensa de tal feito o monarca português concedeu-lhe a categoria de Vila em 1240.

 

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Pouco depois, a 27 de Março de 1248 D. Afonso III confirmou o foral outorgado pelo nosso primeiro monarca e todos os privilégios da vila, concedendo-lhe ele próprio um novo diploma foralengo em 20 de Janeiro de 1273.

 

O concelho de Freixo entendendo que a realização de uma feira ajudaria a um maior povoamento e como consequência a ter mais homens para a sua defesa, pediu a D. Dinis que lhe outorgasse carta de feira, o que foi concedido a 9 de Março de 1307, autorizando a sua realização “oito dias andados de cada mês” com a duração de um dia. Salientemos que esta Vila tinha voto em Cortes, com assento no banco nº 10.

 

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Continuando o seu desenvolvimento como burgo, em 1342 os seus habitantes pedem a D. Afonso IV que lhes fosse concedido o uso da Terça da Igreja a fim de concluírem as muralhas da vila, ao que o rei respondeu afirmativamente. Ainda com estes meios se começou a construir a actual Igreja Matriz, cuja edificação só ficou concluída em pleno reinado de D. João IV.

 

D. Afonso V manteve a Terça no concelho, mas doou todos os outros direitos reais a Vasco Fernandes Sampaio, primeiro donatário desta vila, permanecendo em poder desta família durante séculos, até que a lei de 19 de Julho de 1790 acabou com as donatarias

 

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D. Manuel outorga foral novo a Freixo em 1 de Outubro de 1512.

 

Esta vila ainda viria a sofrer durante muito tempo a “Guerra de Fronteira”, nomeadamente entre 1580 e 1640. As pilhagens e destruição de Lagoaça e Fornos em 1644, são disso exemplo.

 

Em 1896 o concelho de Freixo de Espada à Cinta é suprimido e anexado a Torre de Moncorvo, mas a sua população denotando mais uma vez uma resistência e capacidade de luta fora do comum, conseguiu a 13 de Janeiro de 1898 restaurar o foro municipal.

 

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Do exposto neste resumo verifica-se que Freixo é uma vila cheia de História podendo ser usufruída pelo visitante com enorme satisfação, que ao percorrer as suas ruas cheias de portadas e janelas manuelinas, as antigas muralhas e torre ainda medievais, ao visitar a Igreja, ao passear pela Encruzilhada, pela Rua das Flores, pelo Vale, pelo Castanheiro ou pelo Outeiro, desfrutará com certeza de um prazer sem comparação.

 

Consultas: http://www.cm-freixoespadacinta.pt/ver.php?cod=0B0E em18/11/2020

 

 

24
Jan20

O Barroso em vídeo

Fer.Ribeiro

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Castanheira da Chã

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo da aldeia de Castanheira da Chã, freguesia de Chã, concelho de Montalegre.

 

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Ainda antes do vídeo, ficam também mais algumas imagens que escaparam à anterior seleção que aconteceu aquando da feitura do post desta aldeia.

 

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Imagens de Castanheira da Chã, da freguesia da Chã, que para quem não conhece, a chã, localiza-se na margem direita do rio Rabagão, mais precisamente na margem direita da barragem dos Pisões.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens de Castanheira da Chã, publicadas até à presente data neste blog.

 

 

Todas as aldeias de Barroso em Vídeo podem ser encontradas no Blog Chaves:

https://chaves.blogs.sapo.pt

 

 

06
Ago18

O Barroso aqui tão perto - Uma volta pelas Albufeiras e Cascatas

Fer.Ribeiro

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Costumo dizer que aqui no blog as promessas são para cumprir, e vão-se cumprindo, às vezes, acontece, que por uma ou outra razão, não as cumpro de imediato. Pois no último fim-de-semana fiz uma promessa para cumprir hoje, nesta rubrica de “O Barrosos aqui tão perto”,  e não é que ia ficando por cumprir. Pois é, a rotina manda que prepare uma aldeia e a minha memória já não é aquilo que era. Fui pela rotina, preparei uma aldeia e quando estava prontinha para publicação, dispara um flache na memória a relembrar o que estava prometido.

 

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Recondando, transcrevo a promessa feita no último fim de semana:

 

Ainda antes de irmos ao itinerário recomendado e continuando nesta onda de descoberta/promoção do Barroso, uma vez que estamos em tempo de férias de verão, porque não passar por lá uns dias de sol com banhos incluídos, numa das suas cascatas ou albufeiras. Se for como eu, ao qual já passou o gosto de ser lagarto ao sol para além do médico me recomendar sombras, estas também não faltam por lá. Uma proposta para um dia, pois sendo aqui da terrinha (Chaves) poderá ir e vir no mesmo dia, com dormida na nossa caminha. Fica prometido que no próximo domingo deixo aqui um mini roteiro com propostas para algumas albufeiras e cascatas.

 

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As fotos que ficaram até aqui foram tomadas pelo caminho para chegar aos nossos destinos. A partir de agora sim, é que vamos para algumas albufeiras e cascatas, só até às mais próximas. Vamos abordar duas albufeiras (Pisões e Sezelhe) e três cascatas (Fírvidas, Olas de Santa Marinha e Cela Cavalos). Iniciemos pelas três cascatas mais próximas.

 

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Olas de Santa Marinha/Vilar de Perdizes

 

As Olas de Santa Marina ficam nas proximidades de Vilar de Perdizes, mesmo em cima da raia com a Galiza, de uma beleza natural impar, com grandes formações rochosas por onde o Rio Assureira vai correndo e caindo para o seu destino. Curioso este rio, afluente do Rio Tâmega que corre de Portugal para a Galiza onde vai desaguar no Rio Tâmega, ainda na Galiza.

 

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Junto às Olas existe uma pequena capela onde existe um amplo parque para poder estacionar o popó. É a partir de aí que se desce para as Olas que ficam a 200 metros, caminho ingreme, apenas pedonal, mas não é preciso comer nenhum bife para travar na descida ou dar forças para a subida. Se eu fui lá já várias vezes, vai lá qualquer pessoa, infelizmente exceção para quem tenha mobilidade reduzida, que aí já é muito complicado. Mas nas propostas de hoje, as Olas de Santa Marinha são as únicas onde esta exceção se coloca.

 

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Já nas Olas, há vários passadiços que se podem percorrer para melhor desfrutar dos rápidos e pequenas cascatas que se vão formando. Local muito arborizado onde as sombras abundam. Não são muito apropriadas para banhos, mas podem-se apanhar umas molhas. Há um senão e um risco a correr, pois como o Rio Assureira é de pequeno caudal, quanto mais avançamos no verão menos água tem, chegando praticamente a secar em anos mais secos. Para ver as cascatas em pleno, a primavera é a melhor altura para ir por lá, mas mesmo sem água é interessante. Recomendação importante — Não vá por lá sozinho, principalmente se é curioso e gosta de ver tudo, tal como eu, é que quando o rio vai quase sem água, tem locais para onde se desce bem, mas para subir já é complicado. Desci uma vez a um desses sítios e pensei que tinha de ficar por lá a viver…

 

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O itinerário para se chegar às olas está marcado no nosso mapa, mas não tem nada que enganar. O nosso destino deverá ser Vilar de Perdizes, a partir de aí existem placas indicativas. Mesmo no meio do monte, elas estão lá nos sítios decisivos. O popó vai lá bem, mas a partir de Vilar de Perdizes o caminho é em terra batida.

 

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Pequeninas, mas bonitas com a vantagem de que o popó quase entra na água. Não entra, mas pode ficar a uns escassos 20 metros. Embora o itinerário esteja assinalado no nosso mapa e o acesso até à aldeia de Fírvidas seja fácil, o problema pode surgir entre a aldeia de Fírvidas e as cascatas. Na aldeia existe uma placa indicativa indicando o caminho, mas a partir de aí, nicles, mas a dúvida só surge numa bifurcação de caminhos. O melhor é perguntar na aldeia, pois dar-lhe-ão as indicações necessárias.

 

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Eu disse atrás que o popó vai até às cascatas e já lá fui várias vezes no meu, mas se é daqueles que gosta do carro, do género de ter um amor assolapado por ele, é melhor ir a pé, e faz bem à saúde, são apenas 1.200 metros em terreno plano. Fácil.

 

 

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Próximo da cascata, antes de lá chegar, há um moinho e algum arvoredo, pouco. As cascatas são mais para apreciar do que para banhos, embora dê para uma banhoca, mas não tem sítio para depois lagartar ao sol. Se o que quer é mesmo banhos, fica para a próxima cascata, mas estando nas Fírvidas está ao lado da Barragem dos Pisões. Veja e aprecie a cascata, se levar uma merenda, aproveite para matar lá o bicho e depois vá a banhos para os Pisões. Estando nas cascatas, não deixe de visitar a aldeia, pois seria imperdoável. Pode espreitar no post que dediquei à aldeia: Fívidas 

 

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Cascatas de Cela Cavalos

 

Das três cascatas que hoje aqui deixo, esta é a que tem os acessos mais complicados e de todas as propostas, é a mais distante. Por sinal passa-se por uma barragem (Paradela) que hoje não abordaremos aqui. Então a partir da capela (cuja foto fica atrás) o melhor é ir lá num todo o terreno. Este sim vai lá bem. De popó, já tentei, mas desisti a meio. A pé, também se vai bem, 1600 metros, para lá sempre a descer, de regresso, sempre a subir, mas o esforço vale a pena, e esta sim, dá para umas banhocas e ao lado não falta onde estender a toalha e ficar lá estendido como um lagarto ao sol.

 

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A título de curiosidade, há quem lhe chame as cascatas de Dulce Pontes que dizem, saiu de lá encantada. Eu fui por lá uma única vez, também saí encantado mesmo sem ir a banhos, mas apena porque ainda não estava calor para tal. Se fosse no dia de hoje, podem crer que era a primeira coisa que fazia quando lá chegasse. Era despir e romper por aquelas águas cristalinas adentro, depois saí-a, ia para uma sombra e bebia uma mini, ou duas, é que não posso apanhar sol, o médico não recomenda…

 

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Enquanto que nas cascatas das Olas de Santa Marinha e das Fírvidas dê para passar o dia, falta-lhe a componente dos banhos e do estar, nestas de Cela Cavalos dá para passar lá o dia todo de onde sairá formatadinho de todo e pela certa que sairá de lá com vontade de voltar, não só pelos banhos, pela merenda (que terá de levar, pois à volta só há mesmo paisagem natural), pelas minis e pelo local que é mesmo de encantar.

 

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Barragem do Alto Rabagão ou Pisões

 

A proposta aqui é um em dois, ou até três – Banhos e muito sol, visitar as aldeias à volta da barragem e gastronomia.

 

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Quanto a banhos, há calor e muita água, é só entrar nela e desfrutar. Claro que estamos numa albufeira na qual é preciso tomar cuidados com os banhos, pois as mesmas foram feitas para armazenar água e não para praias fluviais, e daí serem traiçoeiras, quer com lodos quer com mudanças bruscas de profundidade. Primeiro saber nadar é essencial, depois escolha um sítio onde não esteja só. Não precisa de estar com as outras pessoas, embora conhecer outras pessoas também seja agradável, basta que esteja(m) por perto, pois nunca se sabe quando iremos precisar delas, ou elas de nós. Junto às aldeias, há sempre sítios para banhos e o pessoal das aldeias gostam de receber pessoas de fora.

 

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Já em tempos fui por lá algumas vezes a banhos, mas já foi há muito tempo. Hoje não conheço por lá nenhum local em particular para recomendar, mas não faltam, pois a barragem tem quase 50 Km de costa. Para banhos e um pouco ou muito sol, bastam apenas uns metros. 

 

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Mas no início eu dizia que a barragem dos Pisões era para três propostas e a segunda dizia respeito a uma visita às aldeias da margem da barragem. Já não digo visitar todas as aldeias, mas pelo menos algumas. Deixo a lista de aldeias, todas a menos de 1km da barragem, começando por aquela que também dá nome à Barragem, e seguindo à sua volta no sentido do ponteiro dos relógios: Pisões, Viade de Baixo, Viade de Cima, Antigo de Viade, Parafita, Penedones, Travassos da Chã, S. Vicente da Chã, Chã, Aldeia nova do Barroso, Criande, Morgade, Negrões, Vilarinho de Negrões e Lama da Missa. Uma delas, Vilarinho de Negrões, foi candidata às Maravilhas de Portugal, e é-o, principalmente com a cota das águas da barragem no seu máximo, em que a água rodeia toda a aldeia.

 

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A terceira proposta da Barragem dos Pisões é a gastronomia. Ora sem tem intenções de passar por lá o dia todo, convém pensar na paparoca. Se gosta de piqueniques, já sabe que convém levar o comer de casa. Aí levará o que mais gosta tendo em atenção que por lá o sol aperta. Convém não se esquecer da água, sumos o garrafão. Não faça como nós, em tempos, quando lá fomos passar uma noite para sermos os primeiros na abertura de pesca da barragem, em que o do vinho, se esqueceu do garrafão em casa. Foi um tormento toda a noite, nem a comida ficou digerida como devia ser, aliás acho que ainda ando aqui com um pedaço no estomago desse dia.

 

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Pois bem, se não gosta de piqueniques nem de correr o risco de se esquecer do garrafão em casa, à volta da Barragem não faltam restaurantes onde se come bem e em conta. Até poderia recomendar um deles, pois costumámos pousar mais nesse, mas não o vou fazer, estaria a ser injusto com os outros. Vá por lá e escolha o que mais lhe agradar, mas escolha um prato made in barroso ou com iguarias do Barroso. Isso posso recomendar.

 

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Barragem de Sezelhe

 

Trata-se de uma pequena albufeira junto à aldeia com o mesmo nome. É a primeira albufeira do Rio Cávado, pequena, mas simpática, com uma lameira na margem, junto ao paredão, com grelhadores de apoio. Também a conheço por em tempos ter ido para lá à pesca (mas que conste que não sou pescador, só lá ia pela delícia de passar uma noite diferente num sítio agradável) e também a banhos. Costuma ser sossegada e é muito agradável. A água costuma ser fresquinha, aliás em todo o Barroso é assim, mas também é mais refrescante.

 

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Com o grelhador por perto, sempre pode dar-se ao lavor dos grelhados, sabe sempre bem, não esquecer o garrafão. Já agora, uma pequena arca térmica com umas minis também dá jeito. Mas tal como nos Pisões, bem perto da Barragem, também há restaurantes. Pergunte na aldeia que pela certa lhes recomendarão um próximo, não há tantos como junto à barragem dos Pisões, mas sabemos que há alguns, também já comemos por lá, fomos bem servidos e também com preços em conta.   

 

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E ficámos por aqui, deixando o nosso mapa onde assinalamos devidamente cada uma das cascatas e albufeiras. Qualquer um dos destinos fica a menos de 1 hora de viagem.  São todos destinos com água doce, cristalina e calmos. Digamos que são destinos zen. Se é dos que gosta de confusão, então o melhor é mesmo ir para a praia.

 

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E está tudo, não como habitualmente aos domingos, mas segunda-feira de madrugada. Afinal de constas, segunda-feira só começa mesmo quando acordamos pela manhã. Enquanto estamos despertos, mesmo já sendo segunda-feira, ainda é domingo. Não é mas faz de conta, e assim cumpro a outra promessa de estar aqui sempre aos domingos com uma aldeia do Barroso, no caso de hoje, albufeiras e cascatas.

 

 

 

29
Abr18

O Barroso aqui tão perto - Fontaínho

Fer.Ribeiro

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Nesta rubrica de o Barroso aqui tão perto, hoje toca a vez a Fontaínho, que por acaso até é uma das aldeias que para nós flavienses fica no Barroso mais distante, já bem dentro do Parque Nacional da Penda Gerês e bem próxima do concelho de Vieira do Minho e de Terras de Bouro, embora entre Fontaínho e estas últimas exista a Serra do Gerês, ou seja, terras vizinhas, mas do outro lado da serra/muralha.

 

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Mas sejamos mais precisos na localização de Fontaínho que, como já perceberam, fica no barroso verde, que só não é minhoto porque está no limite de Trás-os-Montes e administrativamente pertence ao concelho de Montalegre, de resto, já tem todas as características de terras do Alto Minho. São os tais contrates e barrosos que existe dentro do todo barrosão.

 

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Pois Fontaínho pertence à freguesia de Cabril, a pouco mais de 1km da sede de freguesia, localiza-se na encosta da montanha com vertente para o Rio Cabril, este a apenas 500m, mas não muito distante do Rio Cávado, a cerca de 2km, aliás tinha de ser, pois ambos os rios se encontram nas proximidades de Cabril, embora não se dê por isso, pois a barragem de Salamonde disfarça este encontro.

 

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Passemos à altitude e coordenadas de Fontaínho.  Geralmente o Barroso é dividido em Alto Barroso e Baixo Barroso (terras altas e terras baixas), mas para mim é uma falsa divisão, principalmente se tivermos a altitude em conta, como por exemplo se passa com Fontaínho, na cota dos 300 metros, próxima dos 400, mas que a menos de 5km a cota já atinge os 1200m. Mas isto são pormenores ou moias minhas, pois no todo é o Barroso aquilo que interessa, e esse é único, mesmo com os seus contrastes, ou talvez por isso mesmo.

 

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Ficam então as coordenadas:

41º 43’ 24.32”N

08º 01’ 31.67”O

Altitude: 400m

E também fica o nosso habitual mapa que servirá de pretexto para passarmos aos itinerários a seguir para chegar a Fontaínho, com partida desde a cidade de Chaves, como sempre.

 

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Pois ficam dois itinerários, o primeiro aquele que recomendamos, hoje por ser o mais interessante e o de menor distância, e um segundo em alternativa, um pouco mais longo mas com melhor estrada.

 

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Então o primeiro itinerário é via EM507, ou seja, estrada de S.Caetano/Soutelinho da Raia, este embora maioritariamente por estradas secundárias, é o mais interessante, pois passa pela Vila de Montalegre e quase metade do percurso é feito dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ao todo são 81 km. Atenção que no mapa o traçado passa por Vilar de Perdizes, Solveira, etc. Mas esse troço continua cortado ao trânsito por motivos de obras. Assim, para já, ao chegar a Meixide terá mesmo de optar pela alternativa via Pedrário, Serraquinhos, Cepeda, aliás um troço também bem interessante.  A partir de Montalegre segue-se sempre ao longo do Rio Cávado pela M308 até Sezelhe, aqui entra no Parque Nacional da Peneda-Gerês e segue até à Barragem de Paradela, onde deverá atravessar o paredão da Barragem e seguir sempre pela estrada até encontrar o desvio para Fontaínho, mas primeiro terá de passar ao lado ou por Sirvozelo, Cela, Lapela, Azevedo Xertelo e Chelo.

 

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A alternativa ao itinerário anterior é via Nacional 103 (estrada de Braga), sempre pela N103 até ao final da Barragem de Venda Nova, aí atravessa o paredão da barragem e segue em direção a Ferral e Cabril, logo a seguir é Fontaínho. Por aqui são mais 6km, 87 no total.

 

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E dos intinerários para o topónimo. Pois segundo a “Toponímia de Barroso” temos:

 

Fontaínho

Tal como tantos outros nomes e muitíssimos topónimos decorre do latino FONS/FONTIS, FONTE por FONTANU > FONTANINO > FONTAIO (com esse i nasalado) > FONTAÍNHO e assim chegou ao hidrotopónimo.

 

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E continua a “Toponímia de Barroso”:

Não se trata de sítio com uma fonte pequeina; é, pelo contrário, lugar de várias fontes. Ou seja, o “inho” não é diminutivo mas adjectivamente frequentativo.

Não cause admiração a forma masculina já que, no latim, as fontes também são masculinas como o deus delas – FONTANUS.

 

1600-fontainho (13)

 

Quanto à “Toponimia Alegre” temos:

 

Apelidos” de Cabril

 

"Moeda falsa de Lapela,

Vinho-azedo de Azevedo,

Cava-touças de Sertelo,

Escorricha-picheis de S. Lourenço,

Rabões de Chelo,

Bufos de Vila Boa,

Lagartos de Fontaínho,

Cinzentos de Chãos,

Carrapatos de Cavalos,

Paparoteiros da Vila

Dente-Grande da Ponte,

Pousa-fois na Chã de Moinho,

Raposos de Busto-Chão."

 

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Hoje temos menos imagens, mesmo porque Fontaínho é uma aldeia pequena, mas também como nada encontrámos nas nossas pesquisas ao seu respeito, exceção para a “Toponímia de Barroso”, que nessa sim, tem um pouco de todas as aldeias. Mas há ainda umas palavrinhas a dizer, as nossas, daquilo que mais gostámos de ver e nos vai surpreendendo.

 

1600-fontainho (11)

 

Pois a presença da Serra do Gerês surpreende sempre, pela sua imponência e ser uma serra de acessos difíceis ou mesmo impossíveis, e ela está bem presente em Fontaínho, pelo menos nas vistas, e como é bom descansar nelas os nossos olhos. A par da serra temos o verde, as paisagens de verde com os seus vários matizes. Terras férteis, parece, pelo menos a jugar pelos canastros, pois não existiriam se a terra não desse coisas para lá meter a secar. A nível de construções são o que mais se destaca, pois estas aldeias nesta zona do Barroso são muito diferentes das aldeias mais a norte, onde os povoados são maiores e mais concentrados em núcleos bem definidos. Digamos o que mais surpreende por aqui é a aspereza da serra de rochedos sem fim a erguerem-se para o céu a contrastarem com os matizes de verdes mais vivos ou menos vivos mas sempre brilhantes das terras mais baixas, onde vão aparecendo pequenos núcleos de casario, de vez em quando interrompido por um rio ou uma albufeira, a combinação perfeita por onde dá gosto andar à descoberta.

 

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E na ausência de mais documentação ou dados para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas, hoje apenas uma. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014

 

 

 

 

28
Abr18

Nogueirinhas - Chaves - Portugal

Fer.Ribeiro

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Ainda antes de conhecer as Nogueirinhas já despertavam em mim a curiosidade de as conhecer, primeiro porque o diminutivo dá sempre um ar de graça aos lugares, depois, porque na altura, quando se queria gozar com um chico esperto armado aos cágados, dizia-se ser formado na universidade das Nogueirinhas. Nunca percebi o porquê, mas sempre achei piada.

 

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Mas demorou alguns anos a satisfazer a minha curiosidade, pois segundo me diziam as Nogueirinhas ficavam ali por baixo de Curral de Vacas, lá para o monte, e embora não fosse longe, também não era perto, principalmente para quem, então, o único meio de transporte que possuía para além das pernas, era uma pequena motoreta de três velocidades, pouco vocacionada para a montanha. Só quando comprei o meu primeiro carro, um VW carocha em 2ª mão é que parti à descoberta das Nogueirinhas, esse sim, não tinha medo à montanha.

 

1600-nogueirinhas (192)

 

Decorriam então os finais dos anos oitenta, e numa tarde de um fim-de-semana qualquer, lá fui eu à descoberta das Nogueirinhas, munido de minha minolta analógica para uns poucos registos, pois na altura pensava-se pelo menos três vezes antes de tomar uma foto, pois a revelação e ampliação tinha de se pagar e o preço a pagar não era muito convidativo ao desperdício de fotografias. Mas lá fui eu. Dizia-me que o melhor caminho era via Stº Estêvão, mesmo assim um caminho estreito, em terra batida e de montanha, que para um VW carocha pouca diferença fazia, mas para um popó mais sensível talvez já era mais complicado.

 

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Pois bem, chegado a Stº Estêvão perguntei por onde se ia para as Nogueirinhas e as surpresas começaram logo mal comecei a adentrar pelo caminho que me levaria ao destino. Agradáveis surpresas, pois nunca tinha visto paisagem assim com tanto penedio espalhado pela montanha a sobressair por entre algum mato rasteiro, parecia obra de artista, penedio que ia obrigando a que o caminho tivesse mais curvas que as necessárias ou que o relevo exigisse, mas também isso tornava o caminhar mais interessante. Num de repente acaba-se o penedio e inicia-se um pequeno oásis de terras cobertas de verde para logo de seguida se entrar numa pequena floresta que envolvia e escondia a aldeia das Nogueirinhas. Parámos na entrada, já se sentia a presença da aldeia, mas aquela tarde de verão convidava a parar à frescura da sombra, junto ao riacho onde os sussurros das pequenas quedas de água aumentavam a sensação de frescura, era assim como uma purificação para entrámos na aldeia livre de qualquer pecado. Mesmo antes de entramos na aldeia, já podíamos voltar para trás, pois a pequena viagem já tinha valido a pena.

 

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Mas entrámos na aldeia. Pequena e bem interessante. Tenho pena de ainda não ter conseguido encontrar os negativos das fotos que tomei então. Um dia destes lá chegarei, mas há uma foto de então, a única que ampliei para papel, uma tomada logo no início da aldeia com um palheiro e dois olmos secos. Penso que já na altura andava por aí a doença que vitimou mortalmente todos os olmos. Vimos então o que os nossos olhos viam na altura, o habitual nas nossas aldeias. Pena eu então pensar que elas continuariam como eram para todo o sempre e não ter feito alguns registos que hoje seriam preciosos, mesmo à distância de apenas trinta anos…. Fizemos o regresso com espirito de missão cumprida e ainda hoje recordo as agradáveis sensações então vividas, quer da viagem por entre penedios, do pequeno repouso à sombra com a frescura do riacho e da descoberta das Nogueirinhas.

 

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Hoje tudo é diferente. As Nogueirinhas perderam o seu bucolismo, romântico até, mas ganharam nos acessos, tudo graças à barragem das Nogueirinhas, batizada com o nome da aldeia. O caminho de terra batida diretamente a tapete, nem sequer passou pelo piche ou alcatrão, foi logo tapete, com menos curvas que permitem uma certa velocidade que faz parecer que o penedio seja menor, além da atenção que estrada requer não permitir apreciá-lo como outrora se ia apreciando.

 

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Ganhou uma barragem que tem sido um ponto de interesse, é a nossa “grande“ barragem, a nossa barragem dos “pisões” que sim senhor, é bonita e proporciona lindas vistas, quer estejamos virados para ela ou de costas, pois desde o seu enrocamento também se continua a ver o verde das Nogueirinhas.

 

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Mas a aldeia hoje conta também com um santuário, o Santuário de Santa Luzia, é assim uma espécie de Portugal dos Pequeninos com miniaturas do Cristo Rei e de Nossa Senhora de Fátima em cima de uma rocha, com os três pastorinhos à volta e as ovelhas a pastar na erva. Razões mais que suficientes para uma visita, hoje com bons acessos e sem ter de voltar para trás, pois o circuito está feito com passagem e entrada via Stº Estêvão, aprecia primeiro o penedio, depois a aldeia e a seguir a barragem, com saída por Curral de Vacas, ou ao contrário, pela ordem inversa de apreciação, tanto faz. Hoje as Nogueirinhas podem ser também uma aldeia de passagem para outros destinos, em alternativa aos existentes, refiro-me às aldeias que vão além de Curral de Vacas, como por exemplo Mairos, Paradela, S.Cornélio, etc…

 

 

 

28
Abr18

O factor Humano

Fer.Ribeiro

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As palavras da liberdade

 

Às vezes o narrador conta uma história, outras vezes é a história que conduz o narrador, amparando-o subtilmente por um caminho, mas deixando-lhe a falsa sensação de que é ele, o narrador, quem tem o mapa e como tal decide.

 

Mais raramente a história conta o narrador, expondo-o, umas vezes carinhosamente, outras de forma impiedosa.

 

Só quando o narrador se passeia pela história, rasgando novos caminhos ou perdendo-se em antigas veredas, desfrutando do que até aí lhe era desconhecido, se constrói então uma dádiva para todos, narrador, narrados e leitores. Uma dádiva para sempre, liberta nas palavras, símbolos da liberdade.

 

Manuel Cunha (pité)

 

 

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