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Reino Maravilhoso


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06
Ago18

O Barroso aqui tão perto - Uma volta pelas Albufeiras e Cascatas

Fer.Ribeiro

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Costumo dizer que aqui no blog as promessas são para cumprir, e vão-se cumprindo, às vezes, acontece, que por uma ou outra razão, não as cumpro de imediato. Pois no último fim-de-semana fiz uma promessa para cumprir hoje, nesta rubrica de “O Barrosos aqui tão perto”,  e não é que ia ficando por cumprir. Pois é, a rotina manda que prepare uma aldeia e a minha memória já não é aquilo que era. Fui pela rotina, preparei uma aldeia e quando estava prontinha para publicação, dispara um flache na memória a relembrar o que estava prometido.

 

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Recondando, transcrevo a promessa feita no último fim de semana:

 

Ainda antes de irmos ao itinerário recomendado e continuando nesta onda de descoberta/promoção do Barroso, uma vez que estamos em tempo de férias de verão, porque não passar por lá uns dias de sol com banhos incluídos, numa das suas cascatas ou albufeiras. Se for como eu, ao qual já passou o gosto de ser lagarto ao sol para além do médico me recomendar sombras, estas também não faltam por lá. Uma proposta para um dia, pois sendo aqui da terrinha (Chaves) poderá ir e vir no mesmo dia, com dormida na nossa caminha. Fica prometido que no próximo domingo deixo aqui um mini roteiro com propostas para algumas albufeiras e cascatas.

 

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As fotos que ficaram até aqui foram tomadas pelo caminho para chegar aos nossos destinos. A partir de agora sim, é que vamos para algumas albufeiras e cascatas, só até às mais próximas. Vamos abordar duas albufeiras (Pisões e Sezelhe) e três cascatas (Fírvidas, Olas de Santa Marinha e Cela Cavalos). Iniciemos pelas três cascatas mais próximas.

 

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Olas de Santa Marinha/Vilar de Perdizes

 

As Olas de Santa Marina ficam nas proximidades de Vilar de Perdizes, mesmo em cima da raia com a Galiza, de uma beleza natural impar, com grandes formações rochosas por onde o Rio Assureira vai correndo e caindo para o seu destino. Curioso este rio, afluente do Rio Tâmega que corre de Portugal para a Galiza onde vai desaguar no Rio Tâmega, ainda na Galiza.

 

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Junto às Olas existe uma pequena capela onde existe um amplo parque para poder estacionar o popó. É a partir de aí que se desce para as Olas que ficam a 200 metros, caminho ingreme, apenas pedonal, mas não é preciso comer nenhum bife para travar na descida ou dar forças para a subida. Se eu fui lá já várias vezes, vai lá qualquer pessoa, infelizmente exceção para quem tenha mobilidade reduzida, que aí já é muito complicado. Mas nas propostas de hoje, as Olas de Santa Marinha são as únicas onde esta exceção se coloca.

 

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Já nas Olas, há vários passadiços que se podem percorrer para melhor desfrutar dos rápidos e pequenas cascatas que se vão formando. Local muito arborizado onde as sombras abundam. Não são muito apropriadas para banhos, mas podem-se apanhar umas molhas. Há um senão e um risco a correr, pois como o Rio Assureira é de pequeno caudal, quanto mais avançamos no verão menos água tem, chegando praticamente a secar em anos mais secos. Para ver as cascatas em pleno, a primavera é a melhor altura para ir por lá, mas mesmo sem água é interessante. Recomendação importante — Não vá por lá sozinho, principalmente se é curioso e gosta de ver tudo, tal como eu, é que quando o rio vai quase sem água, tem locais para onde se desce bem, mas para subir já é complicado. Desci uma vez a um desses sítios e pensei que tinha de ficar por lá a viver…

 

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O itinerário para se chegar às olas está marcado no nosso mapa, mas não tem nada que enganar. O nosso destino deverá ser Vilar de Perdizes, a partir de aí existem placas indicativas. Mesmo no meio do monte, elas estão lá nos sítios decisivos. O popó vai lá bem, mas a partir de Vilar de Perdizes o caminho é em terra batida.

 

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Pequeninas, mas bonitas com a vantagem de que o popó quase entra na água. Não entra, mas pode ficar a uns escassos 20 metros. Embora o itinerário esteja assinalado no nosso mapa e o acesso até à aldeia de Fírvidas seja fácil, o problema pode surgir entre a aldeia de Fírvidas e as cascatas. Na aldeia existe uma placa indicativa indicando o caminho, mas a partir de aí, nicles, mas a dúvida só surge numa bifurcação de caminhos. O melhor é perguntar na aldeia, pois dar-lhe-ão as indicações necessárias.

 

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Eu disse atrás que o popó vai até às cascatas e já lá fui várias vezes no meu, mas se é daqueles que gosta do carro, do género de ter um amor assolapado por ele, é melhor ir a pé, e faz bem à saúde, são apenas 1.200 metros em terreno plano. Fácil.

 

 

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Próximo da cascata, antes de lá chegar, há um moinho e algum arvoredo, pouco. As cascatas são mais para apreciar do que para banhos, embora dê para uma banhoca, mas não tem sítio para depois lagartar ao sol. Se o que quer é mesmo banhos, fica para a próxima cascata, mas estando nas Fírvidas está ao lado da Barragem dos Pisões. Veja e aprecie a cascata, se levar uma merenda, aproveite para matar lá o bicho e depois vá a banhos para os Pisões. Estando nas cascatas, não deixe de visitar a aldeia, pois seria imperdoável. Pode espreitar no post que dediquei à aldeia: Fívidas 

 

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Cascatas de Cela Cavalos

 

Das três cascatas que hoje aqui deixo, esta é a que tem os acessos mais complicados e de todas as propostas, é a mais distante. Por sinal passa-se por uma barragem (Paradela) que hoje não abordaremos aqui. Então a partir da capela (cuja foto fica atrás) o melhor é ir lá num todo o terreno. Este sim vai lá bem. De popó, já tentei, mas desisti a meio. A pé, também se vai bem, 1600 metros, para lá sempre a descer, de regresso, sempre a subir, mas o esforço vale a pena, e esta sim, dá para umas banhocas e ao lado não falta onde estender a toalha e ficar lá estendido como um lagarto ao sol.

 

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A título de curiosidade, há quem lhe chame as cascatas de Dulce Pontes que dizem, saiu de lá encantada. Eu fui por lá uma única vez, também saí encantado mesmo sem ir a banhos, mas apena porque ainda não estava calor para tal. Se fosse no dia de hoje, podem crer que era a primeira coisa que fazia quando lá chegasse. Era despir e romper por aquelas águas cristalinas adentro, depois saí-a, ia para uma sombra e bebia uma mini, ou duas, é que não posso apanhar sol, o médico não recomenda…

 

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Enquanto que nas cascatas das Olas de Santa Marinha e das Fírvidas dê para passar o dia, falta-lhe a componente dos banhos e do estar, nestas de Cela Cavalos dá para passar lá o dia todo de onde sairá formatadinho de todo e pela certa que sairá de lá com vontade de voltar, não só pelos banhos, pela merenda (que terá de levar, pois à volta só há mesmo paisagem natural), pelas minis e pelo local que é mesmo de encantar.

 

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Barragem do Alto Rabagão ou Pisões

 

A proposta aqui é um em dois, ou até três – Banhos e muito sol, visitar as aldeias à volta da barragem e gastronomia.

 

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Quanto a banhos, há calor e muita água, é só entrar nela e desfrutar. Claro que estamos numa albufeira na qual é preciso tomar cuidados com os banhos, pois as mesmas foram feitas para armazenar água e não para praias fluviais, e daí serem traiçoeiras, quer com lodos quer com mudanças bruscas de profundidade. Primeiro saber nadar é essencial, depois escolha um sítio onde não esteja só. Não precisa de estar com as outras pessoas, embora conhecer outras pessoas também seja agradável, basta que esteja(m) por perto, pois nunca se sabe quando iremos precisar delas, ou elas de nós. Junto às aldeias, há sempre sítios para banhos e o pessoal das aldeias gostam de receber pessoas de fora.

 

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Já em tempos fui por lá algumas vezes a banhos, mas já foi há muito tempo. Hoje não conheço por lá nenhum local em particular para recomendar, mas não faltam, pois a barragem tem quase 50 Km de costa. Para banhos e um pouco ou muito sol, bastam apenas uns metros. 

 

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Mas no início eu dizia que a barragem dos Pisões era para três propostas e a segunda dizia respeito a uma visita às aldeias da margem da barragem. Já não digo visitar todas as aldeias, mas pelo menos algumas. Deixo a lista de aldeias, todas a menos de 1km da barragem, começando por aquela que também dá nome à Barragem, e seguindo à sua volta no sentido do ponteiro dos relógios: Pisões, Viade de Baixo, Viade de Cima, Antigo de Viade, Parafita, Penedones, Travassos da Chã, S. Vicente da Chã, Chã, Aldeia nova do Barroso, Criande, Morgade, Negrões, Vilarinho de Negrões e Lama da Missa. Uma delas, Vilarinho de Negrões, foi candidata às Maravilhas de Portugal, e é-o, principalmente com a cota das águas da barragem no seu máximo, em que a água rodeia toda a aldeia.

 

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A terceira proposta da Barragem dos Pisões é a gastronomia. Ora sem tem intenções de passar por lá o dia todo, convém pensar na paparoca. Se gosta de piqueniques, já sabe que convém levar o comer de casa. Aí levará o que mais gosta tendo em atenção que por lá o sol aperta. Convém não se esquecer da água, sumos o garrafão. Não faça como nós, em tempos, quando lá fomos passar uma noite para sermos os primeiros na abertura de pesca da barragem, em que o do vinho, se esqueceu do garrafão em casa. Foi um tormento toda a noite, nem a comida ficou digerida como devia ser, aliás acho que ainda ando aqui com um pedaço no estomago desse dia.

 

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Pois bem, se não gosta de piqueniques nem de correr o risco de se esquecer do garrafão em casa, à volta da Barragem não faltam restaurantes onde se come bem e em conta. Até poderia recomendar um deles, pois costumámos pousar mais nesse, mas não o vou fazer, estaria a ser injusto com os outros. Vá por lá e escolha o que mais lhe agradar, mas escolha um prato made in barroso ou com iguarias do Barroso. Isso posso recomendar.

 

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Barragem de Sezelhe

 

Trata-se de uma pequena albufeira junto à aldeia com o mesmo nome. É a primeira albufeira do Rio Cávado, pequena, mas simpática, com uma lameira na margem, junto ao paredão, com grelhadores de apoio. Também a conheço por em tempos ter ido para lá à pesca (mas que conste que não sou pescador, só lá ia pela delícia de passar uma noite diferente num sítio agradável) e também a banhos. Costuma ser sossegada e é muito agradável. A água costuma ser fresquinha, aliás em todo o Barroso é assim, mas também é mais refrescante.

 

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Com o grelhador por perto, sempre pode dar-se ao lavor dos grelhados, sabe sempre bem, não esquecer o garrafão. Já agora, uma pequena arca térmica com umas minis também dá jeito. Mas tal como nos Pisões, bem perto da Barragem, também há restaurantes. Pergunte na aldeia que pela certa lhes recomendarão um próximo, não há tantos como junto à barragem dos Pisões, mas sabemos que há alguns, também já comemos por lá, fomos bem servidos e também com preços em conta.   

 

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E ficámos por aqui, deixando o nosso mapa onde assinalamos devidamente cada uma das cascatas e albufeiras. Qualquer um dos destinos fica a menos de 1 hora de viagem.  São todos destinos com água doce, cristalina e calmos. Digamos que são destinos zen. Se é dos que gosta de confusão, então o melhor é mesmo ir para a praia.

 

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E está tudo, não como habitualmente aos domingos, mas segunda-feira de madrugada. Afinal de constas, segunda-feira só começa mesmo quando acordamos pela manhã. Enquanto estamos despertos, mesmo já sendo segunda-feira, ainda é domingo. Não é mas faz de conta, e assim cumpro a outra promessa de estar aqui sempre aos domingos com uma aldeia do Barroso, no caso de hoje, albufeiras e cascatas.

 

 

 

29
Abr18

O Barroso aqui tão perto - Fontaínho

Fer.Ribeiro

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Nesta rubrica de o Barroso aqui tão perto, hoje toca a vez a Fontaínho, que por acaso até é uma das aldeias que para nós flavienses fica no Barroso mais distante, já bem dentro do Parque Nacional da Penda Gerês e bem próxima do concelho de Vieira do Minho e de Terras de Bouro, embora entre Fontaínho e estas últimas exista a Serra do Gerês, ou seja, terras vizinhas, mas do outro lado da serra/muralha.

 

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Mas sejamos mais precisos na localização de Fontaínho que, como já perceberam, fica no barroso verde, que só não é minhoto porque está no limite de Trás-os-Montes e administrativamente pertence ao concelho de Montalegre, de resto, já tem todas as características de terras do Alto Minho. São os tais contrates e barrosos que existe dentro do todo barrosão.

 

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Pois Fontaínho pertence à freguesia de Cabril, a pouco mais de 1km da sede de freguesia, localiza-se na encosta da montanha com vertente para o Rio Cabril, este a apenas 500m, mas não muito distante do Rio Cávado, a cerca de 2km, aliás tinha de ser, pois ambos os rios se encontram nas proximidades de Cabril, embora não se dê por isso, pois a barragem de Salamonde disfarça este encontro.

 

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Passemos à altitude e coordenadas de Fontaínho.  Geralmente o Barroso é dividido em Alto Barroso e Baixo Barroso (terras altas e terras baixas), mas para mim é uma falsa divisão, principalmente se tivermos a altitude em conta, como por exemplo se passa com Fontaínho, na cota dos 300 metros, próxima dos 400, mas que a menos de 5km a cota já atinge os 1200m. Mas isto são pormenores ou moias minhas, pois no todo é o Barroso aquilo que interessa, e esse é único, mesmo com os seus contrastes, ou talvez por isso mesmo.

 

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Ficam então as coordenadas:

41º 43’ 24.32”N

08º 01’ 31.67”O

Altitude: 400m

E também fica o nosso habitual mapa que servirá de pretexto para passarmos aos itinerários a seguir para chegar a Fontaínho, com partida desde a cidade de Chaves, como sempre.

 

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Pois ficam dois itinerários, o primeiro aquele que recomendamos, hoje por ser o mais interessante e o de menor distância, e um segundo em alternativa, um pouco mais longo mas com melhor estrada.

 

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Então o primeiro itinerário é via EM507, ou seja, estrada de S.Caetano/Soutelinho da Raia, este embora maioritariamente por estradas secundárias, é o mais interessante, pois passa pela Vila de Montalegre e quase metade do percurso é feito dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ao todo são 81 km. Atenção que no mapa o traçado passa por Vilar de Perdizes, Solveira, etc. Mas esse troço continua cortado ao trânsito por motivos de obras. Assim, para já, ao chegar a Meixide terá mesmo de optar pela alternativa via Pedrário, Serraquinhos, Cepeda, aliás um troço também bem interessante.  A partir de Montalegre segue-se sempre ao longo do Rio Cávado pela M308 até Sezelhe, aqui entra no Parque Nacional da Peneda-Gerês e segue até à Barragem de Paradela, onde deverá atravessar o paredão da Barragem e seguir sempre pela estrada até encontrar o desvio para Fontaínho, mas primeiro terá de passar ao lado ou por Sirvozelo, Cela, Lapela, Azevedo Xertelo e Chelo.

 

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A alternativa ao itinerário anterior é via Nacional 103 (estrada de Braga), sempre pela N103 até ao final da Barragem de Venda Nova, aí atravessa o paredão da barragem e segue em direção a Ferral e Cabril, logo a seguir é Fontaínho. Por aqui são mais 6km, 87 no total.

 

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E dos intinerários para o topónimo. Pois segundo a “Toponímia de Barroso” temos:

 

Fontaínho

Tal como tantos outros nomes e muitíssimos topónimos decorre do latino FONS/FONTIS, FONTE por FONTANU > FONTANINO > FONTAIO (com esse i nasalado) > FONTAÍNHO e assim chegou ao hidrotopónimo.

 

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E continua a “Toponímia de Barroso”:

Não se trata de sítio com uma fonte pequeina; é, pelo contrário, lugar de várias fontes. Ou seja, o “inho” não é diminutivo mas adjectivamente frequentativo.

Não cause admiração a forma masculina já que, no latim, as fontes também são masculinas como o deus delas – FONTANUS.

 

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Quanto à “Toponimia Alegre” temos:

 

Apelidos” de Cabril

 

"Moeda falsa de Lapela,

Vinho-azedo de Azevedo,

Cava-touças de Sertelo,

Escorricha-picheis de S. Lourenço,

Rabões de Chelo,

Bufos de Vila Boa,

Lagartos de Fontaínho,

Cinzentos de Chãos,

Carrapatos de Cavalos,

Paparoteiros da Vila

Dente-Grande da Ponte,

Pousa-fois na Chã de Moinho,

Raposos de Busto-Chão."

 

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Hoje temos menos imagens, mesmo porque Fontaínho é uma aldeia pequena, mas também como nada encontrámos nas nossas pesquisas ao seu respeito, exceção para a “Toponímia de Barroso”, que nessa sim, tem um pouco de todas as aldeias. Mas há ainda umas palavrinhas a dizer, as nossas, daquilo que mais gostámos de ver e nos vai surpreendendo.

 

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Pois a presença da Serra do Gerês surpreende sempre, pela sua imponência e ser uma serra de acessos difíceis ou mesmo impossíveis, e ela está bem presente em Fontaínho, pelo menos nas vistas, e como é bom descansar nelas os nossos olhos. A par da serra temos o verde, as paisagens de verde com os seus vários matizes. Terras férteis, parece, pelo menos a jugar pelos canastros, pois não existiriam se a terra não desse coisas para lá meter a secar. A nível de construções são o que mais se destaca, pois estas aldeias nesta zona do Barroso são muito diferentes das aldeias mais a norte, onde os povoados são maiores e mais concentrados em núcleos bem definidos. Digamos o que mais surpreende por aqui é a aspereza da serra de rochedos sem fim a erguerem-se para o céu a contrastarem com os matizes de verdes mais vivos ou menos vivos mas sempre brilhantes das terras mais baixas, onde vão aparecendo pequenos núcleos de casario, de vez em quando interrompido por um rio ou uma albufeira, a combinação perfeita por onde dá gosto andar à descoberta.

 

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E na ausência de mais documentação ou dados para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas, hoje apenas uma. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014

 

 

 

 

28
Abr18

Nogueirinhas - Chaves - Portugal

Fer.Ribeiro

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Ainda antes de conhecer as Nogueirinhas já despertavam em mim a curiosidade de as conhecer, primeiro porque o diminutivo dá sempre um ar de graça aos lugares, depois, porque na altura, quando se queria gozar com um chico esperto armado aos cágados, dizia-se ser formado na universidade das Nogueirinhas. Nunca percebi o porquê, mas sempre achei piada.

 

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Mas demorou alguns anos a satisfazer a minha curiosidade, pois segundo me diziam as Nogueirinhas ficavam ali por baixo de Curral de Vacas, lá para o monte, e embora não fosse longe, também não era perto, principalmente para quem, então, o único meio de transporte que possuía para além das pernas, era uma pequena motoreta de três velocidades, pouco vocacionada para a montanha. Só quando comprei o meu primeiro carro, um VW carocha em 2ª mão é que parti à descoberta das Nogueirinhas, esse sim, não tinha medo à montanha.

 

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Decorriam então os finais dos anos oitenta, e numa tarde de um fim-de-semana qualquer, lá fui eu à descoberta das Nogueirinhas, munido de minha minolta analógica para uns poucos registos, pois na altura pensava-se pelo menos três vezes antes de tomar uma foto, pois a revelação e ampliação tinha de se pagar e o preço a pagar não era muito convidativo ao desperdício de fotografias. Mas lá fui eu. Dizia-me que o melhor caminho era via Stº Estêvão, mesmo assim um caminho estreito, em terra batida e de montanha, que para um VW carocha pouca diferença fazia, mas para um popó mais sensível talvez já era mais complicado.

 

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Pois bem, chegado a Stº Estêvão perguntei por onde se ia para as Nogueirinhas e as surpresas começaram logo mal comecei a adentrar pelo caminho que me levaria ao destino. Agradáveis surpresas, pois nunca tinha visto paisagem assim com tanto penedio espalhado pela montanha a sobressair por entre algum mato rasteiro, parecia obra de artista, penedio que ia obrigando a que o caminho tivesse mais curvas que as necessárias ou que o relevo exigisse, mas também isso tornava o caminhar mais interessante. Num de repente acaba-se o penedio e inicia-se um pequeno oásis de terras cobertas de verde para logo de seguida se entrar numa pequena floresta que envolvia e escondia a aldeia das Nogueirinhas. Parámos na entrada, já se sentia a presença da aldeia, mas aquela tarde de verão convidava a parar à frescura da sombra, junto ao riacho onde os sussurros das pequenas quedas de água aumentavam a sensação de frescura, era assim como uma purificação para entrámos na aldeia livre de qualquer pecado. Mesmo antes de entramos na aldeia, já podíamos voltar para trás, pois a pequena viagem já tinha valido a pena.

 

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Mas entrámos na aldeia. Pequena e bem interessante. Tenho pena de ainda não ter conseguido encontrar os negativos das fotos que tomei então. Um dia destes lá chegarei, mas há uma foto de então, a única que ampliei para papel, uma tomada logo no início da aldeia com um palheiro e dois olmos secos. Penso que já na altura andava por aí a doença que vitimou mortalmente todos os olmos. Vimos então o que os nossos olhos viam na altura, o habitual nas nossas aldeias. Pena eu então pensar que elas continuariam como eram para todo o sempre e não ter feito alguns registos que hoje seriam preciosos, mesmo à distância de apenas trinta anos…. Fizemos o regresso com espirito de missão cumprida e ainda hoje recordo as agradáveis sensações então vividas, quer da viagem por entre penedios, do pequeno repouso à sombra com a frescura do riacho e da descoberta das Nogueirinhas.

 

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Hoje tudo é diferente. As Nogueirinhas perderam o seu bucolismo, romântico até, mas ganharam nos acessos, tudo graças à barragem das Nogueirinhas, batizada com o nome da aldeia. O caminho de terra batida diretamente a tapete, nem sequer passou pelo piche ou alcatrão, foi logo tapete, com menos curvas que permitem uma certa velocidade que faz parecer que o penedio seja menor, além da atenção que estrada requer não permitir apreciá-lo como outrora se ia apreciando.

 

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Ganhou uma barragem que tem sido um ponto de interesse, é a nossa “grande“ barragem, a nossa barragem dos “pisões” que sim senhor, é bonita e proporciona lindas vistas, quer estejamos virados para ela ou de costas, pois desde o seu enrocamento também se continua a ver o verde das Nogueirinhas.

 

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Mas a aldeia hoje conta também com um santuário, o Santuário de Santa Luzia, é assim uma espécie de Portugal dos Pequeninos com miniaturas do Cristo Rei e de Nossa Senhora de Fátima em cima de uma rocha, com os três pastorinhos à volta e as ovelhas a pastar na erva. Razões mais que suficientes para uma visita, hoje com bons acessos e sem ter de voltar para trás, pois o circuito está feito com passagem e entrada via Stº Estêvão, aprecia primeiro o penedio, depois a aldeia e a seguir a barragem, com saída por Curral de Vacas, ou ao contrário, pela ordem inversa de apreciação, tanto faz. Hoje as Nogueirinhas podem ser também uma aldeia de passagem para outros destinos, em alternativa aos existentes, refiro-me às aldeias que vão além de Curral de Vacas, como por exemplo Mairos, Paradela, S.Cornélio, etc…

 

 

 

28
Abr18

O factor Humano

Fer.Ribeiro

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As palavras da liberdade

 

Às vezes o narrador conta uma história, outras vezes é a história que conduz o narrador, amparando-o subtilmente por um caminho, mas deixando-lhe a falsa sensação de que é ele, o narrador, quem tem o mapa e como tal decide.

 

Mais raramente a história conta o narrador, expondo-o, umas vezes carinhosamente, outras de forma impiedosa.

 

Só quando o narrador se passeia pela história, rasgando novos caminhos ou perdendo-se em antigas veredas, desfrutando do que até aí lhe era desconhecido, se constrói então uma dádiva para todos, narrador, narrados e leitores. Uma dádiva para sempre, liberta nas palavras, símbolos da liberdade.

 

Manuel Cunha (pité)

 

 

27
Abr18

Flavienses por outras terras - Paulo Rua

Fer.Ribeiro

Banner Flavienses por outras terras

 

Paulo Rua

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” voltamos a Valongo, nos arredores do Porto.

 

É lá que vamos encontrar o Paulo Rua.

 

Cabeçalho - Paulo Rua.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci na freguesia de Santa Maria Maior, em Chaves.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Nantes, o Ciclo, a Escola dos Aregos (um ano) e a Escola Secundária Dr. Júlio Martins.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 1995 para ingressar no curso da GNR, em Portalegre.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Em Portalegre, em Lagos, em Sines, em Matosinhos e no Porto.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Os bons tempos de escola e os sábados à noite nas Caldas, com os amigos.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

As nossas Termas e a nossa gastronomia.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Da família e dos amigos com quem perdi contacto.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Uma vez por mês.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Nada, gosto dela como é.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Sim.

 

 

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Paulo Rua.png

 

 

27
Abr18

Discursos Sobre a Cidade

Fer.Ribeiro

GIL

 

Serafina Bajouca

 

O padre Zé estava gasto como puída estava a batina que não trocava há tantos anos. As pedras dos caminhos ermos que calcorreava para pastorear o seu rebanho, tinham-lhe moído o corpo e a alma. Poucos mais anos lhe emprestaria a vida, apesar de a ter vivido derrengando polaina, como era de esperar, neste tempo, para os sotainas.

 

Mas não havia forma de escapar à lei da vida e só lhe restava acautelar a sua herança.

 

Dono de um casal de lavoura muito forte, metade da povoação pertencia-lhe, preparava o terreno para deixar tudo à sobrinha Sanfrósia que lhe aturava as teimosias e lhe enchia a mesa de iguarias há largos anos.

 

Solteirona, com uma vida também já muito gasta pela dedicação extrema à causa e à casa, Sanfrósia ainda nutria uma ténue esperança de topar quem lhe aquecesse a cama. E não havia de faltar, certamente. O catano é que ou o fazia depois do velhote fazer as contas com o S. Pedro e aí não dependia da sua vontade, ou teria de contar com o seu assentimento, o que não se adivinhava tarefa fácil!

 

Vindo de Loivos, o abade tinha em casa um criado de nomeada Ceboleiro, que não sendo mal parecido, era sério e muito dedicado ao trabalho. Não deixava, no entanto, de ser um reles criado de servir. O melro há muito se andava a atirar à Sanfrósia, mas esta, mais por decoro do que por falta de vontade, negava-se aos adiantos. A bem dizer não o rejeitava, todavia, travada pela condição do amante e pela certeza de que o padrinho lhe negaria os ensejos, limitava-se a admirá-lo desde a janela de perpianho enquanto assucava a cortinha para batatas.

 

E que bem assoviava o marlante!

 

Aqueles silvos de rouxinol enchiam-lhe o coração de esperança.

 

Um dia ganhou coragem e declarou o seu amor ao padrinho/tio que, contrariamente ao que supunha, não ofereceu grande resistência. Porém, não lhe parecendo nada bem que um criado de servir lhe partilhasse a herança, e por causa do falatório, combinou com ela que o mandariam para o Brasil de onde regressaria de fraque e cartola. Depois sim, seria prestigiante casar com um brasileiro que de ceboleiro já pouco teria. Não obstante, exigiu-lhe que se mantivesse virgem, como supunha que ainda fosse, e guardasse voto de castidade até à morte.

 

Esta exigência é que foi o catancho!...

 

Mas, logo que o padre fechasse os olhos logo se haveria de ver!...

 

O Ceboleiro foi então recomendado a um irmão que o padre Zé tinha no Rio Grande do Sul e lá foi de vapor até às terras de Porto Alegre para se lapidar.

 

Entretanto o padre finou-se e a sobrinha não demorou a mandar vir o seu futuro marido.

 

Regressou que parecia um lorde, apesar de ter passado pouco mais de um ano.

 

Combinou-se o casório na matriz de Santa Leocádia e de reles criado de servir o Ceboleiro passou a grande e respeitável proprietário de uma imensidão de leiras, carvalhais, soutos e lameiros.

 

A Sanfrósia depressa olvidou o voto que tinha feito e ia recuperando o tempo perdido como podia. Contudo, apesar do labor, nunca foi capaz de alcançar, certamente por castigo do padrinho desde o além!...

 

Os anos foram passando e os cabelos branqueando. Com os mesmos problemas com que se havia confrontado o padre se confrontavam eles gora.

 

Quem herdaria casal tão farto?

 

O Ceboleiro, tinha uma catrefada de irmãos que a extrema pobreza tinha espargido por esse mundo afora. Um deles foi parar à cidade Invicta onde arranjou emprego como guarda-freios na Carris. Casado com uma vendedeira de fruta, oriunda de Sernancelhe, tinha já duas meninas na descendência, a Isaura de 3 anos e a Serafina Bajouca de cinco.

 

Perante a incapacidade de procriarem, os lavradores lembraram-se de pedir ao irmão do Porto uma das filhas que os ampararia na velhice. Como contrapartida teria o casal de mão beijada. Os do Porto não hesitaram, escolheram a Serafina e disso deram conta numa missiva enviada para o Planalto. Logo que vieram ao Porto de comboio trataram de levar a menina com eles até Fornelos.

 

A moça foi crescendo e enrijecendo com os ares e o presunto da serra. Com o futuro garantido e a velhice dos tios acautelada, estes pensaram que seria bom que ela aprendesse a ler para lhes amainar os serões de inverno.

 

Na altura não havia escolas nas redondezas, de forma que quem quisesse aprender as letras teria de se valer de algum curioso que as soubesse juntar. Assim, contrataram os serviços da governanta do padre António que vivia em S. Cibrão. O padre António veio pastorear Santa Leocádia à morte do padre Zé. Sem embargo, foi imposta uma condição muito severa: a menina só poderia aprender a ler e a contar, estava proibida de aprender a escrever. O objetivo era claro, prevenir a possibilidade de ela se vir a corresponder com alguém que não chaldrasse a seus tios

 

E assim foi.

 

A menina casou por três vezes e em todas elas conheceu o noivo somente no altar! Do primeiro casamento teve dois filhos e do segundo quatro.

 

Morreu velhinha com o casal dividido em mil cibos, como nunca o padre Zé achava que seria possível!

 

Coisas da vida!

 

Gil Santos

 

 

 

25
Abr18

25 de Abril - Sempre!

Fer.Ribeiro

25-abril-18

 

 

Não podia deixar passar a esta data sem vir aqui com o SEMPRE do 25 de abril, em celebração do seu 44º aniversário, que tal como diz o poeta, deste “Abril já feito. E ainda por fazer”. Por mim, continuemos a sua construção… 25 de Abril - Sempre!

 

 

21
Abr18

Nogueira da Montanha - Chaves - Portugal

Fer.Ribeiro

1600-nogueira (283)

 

Esta primeira imagem é feita de pura ilusão. Real, sim senhor, é real, mas ilude e leva-nos a crer numa realidade que não existe lá no alto planalto da Serra do Brunheiro, em terras da freguesia de Nogueira da Montanha, freguesia e aldeia para onde vamos hoje, mais uma vez com o mesmo discurso, o do despovoamento rural.

 

1600-nogueira (258)

 

Embora o planalto do Brunheiro até seja feito de terras maioritariamente cultiváveis,  onde até é conhecida a excelência da qualidade dos produtos que lá se produzem, como por exemplo a batata, sempre teve todas as condições para convidar as pessoas a partir para melhor vida. Terras altas de invernos rigorosos, a terra altamente repartida, falta de uma política agrícola, falta de infraestruturas básicas, sem perspetivas para o futuro, etc. Tudo convidava à partida e o seu povo partiu, e se aguentaram por lá alguns séculos, foi porque então, se partissem e fossem para onde fossem, a realidade era a mesma, exceto nas grandes cidades, que para nós se resumiam a duas e onde gente não qualificada era mais escrava que na terra mãe.

 

1600-nogueira (243)

 

Mas os tempos mudaram, felizmente, e desde que a educação passou a ser uma das nossas prioridades ou uma das nossas necessidades como a modernidade o exigia, os horizontes alargaram-se e passou a existir vida para além das leiras das aldeias, bem melhor,  e que ia além da subsistência. A emigração passou a ser um convite sério, num ano ou dois deixava-se de andar a conduzir carros de bois carregados com quase nada para passarem a conduzir um popó todo janota, bem melhor do que aquele que os bem remediados e alguns mais abastados tinham por cá. Em meia dúzia de anos construíram casas novas, com novos materiais, cozinhas todas xpto, etc. Certo que a vida de emigrante não era fácil, mas o suor que lhes corria nas faces era cambiado por dinheiro e não por batatas, centeio, nabos que em anos maus nem davam para as despesas e em anos bons, muitas das vezes apodreciam nos armazéns…

 

1600-nogueira (214)

 

Mas não foi só a emigração. De novo a educação teve um papel importante no abandono do mundo rural. Os mais remediados que não emigraram e não abandonaram as terra, mandaram os filhos descer ao vale para continuar os estudos além das primeiras letras e números aprendidos na escola da aldeia. Fizeram o secundário e mediante as possibilidades dos remediados, continuaram os estudos em cursos médios ou superiores, formaram-se, tudo com cursos virados para a cidade, para os grandes centros onde poderiam exercer as profissões para que estavam habilitados, e a aldeia passou a existir apenas no natal,  na páscoa, às vezes no carnaval, no dia da festa da aldeia, na morte de um familiar próximo, ou numa ou outra visita ocasional de fim de semana para visitar os seus, matar algumas saudades e meter uns sacos de batatas, umas chouriças e uns garrafões de vinho e azeite na mala do carro.

 

1600-nogueira (229)

 

Os mesmos iluminados de sempre, os de Lisboa, pensaram e bem numa educação para todos, se possível superior, mas esqueceram-se de vocacionar esses cursos e de pensar o mundo rural com políticas apropriadas para os novos formados poderem nele fazer o seu futuro se assim o desejassem, contribuindo assim para o nosso desenvolvimento e para um Portugal mais igual. Está tudo nos livros em que estudaram, senhores de Lisboa que muitos deles saíram destas aldeias,  mas que a sedução de outros interesses os levou à cegueira, para com facilmente esquecerem ou ignorarem uma realidade, que muito bem conhecem, onde deixarem nela os seus resistentes, que alguns até são avós, pais, irmãos, tios, primos…

 

1600-nogueira (201)

 

Quase todas as aldeias que em tempos foram das melhoras aldeias,  com gente maioritariamente remediada com o suficiente para estudarem os filhos, hoje estão à beira da falência e do total abandono. Nogueira da Montanha é uma delas. Há coisa de um ano, quando passei por lá para mais uma recolha de algumas imagens, vi de passagem apenas uma pessoa, que até poderia nem ser de lá. Na aldeia vizinha, também com apenas meia-dúzia de pessoas, disseram-me que em Nogueira apenas resistiam três pessoas... Vai sendo esta a triste realidade das nossas aldeias.

 

1600-nogueira (182)

 

Mas o que mais dói no meio de todo este abandono, não são as casas fechadas, degradadas ou em ruínas, nem as ruas sem gente, o tanque sem lavadeiras, os pátios sem animais. Tudo isso pode ser reposto num futuro próximo ou mais distante, o que mais dói é a cultura rural ainda com algum comunitarismo que se vivia nas aldeias, os saberes e sabores, folclore e tradições que ao longo de séculos existiram e que iam passando de geração em geração. Tudo isso se perdeu ou está em vias de se perder na maioria das nossas aldeias, e seja qual for o futuro das nossas aldeias, nunca mais voltarão a ser como eram.

 

 

 

 

20
Abr18

Cinco dias cinco postas

Fer.Ribeiro

1600-postas

 

O Melhor Restaurante de Portugal

 

Não sei se é o melhor restaurante de Portugal, sei que o restaurante do Pedro de Vilarinho Seco, foi o primeiro em Portugal a receber o selo Ceres Ecotur. Foi há cerca de um ano, saiu em todas os jornais, mas eu gosto de relembrar. O Pedro recebeu o selo por servir comida biológica e local, o que faz diminuir a pegada ecológica dos alimentos e aumentar a qualidade dos comeres. Essa da biológica tem que se lhe diga, porque o que ele serve é biológica caseira, muito diferente da biológica industrial que se encontra à venda nas cidades. Na altura, achei piada ouvir o Pedro a dizer na tv que nem precisava de mais publicidade, que já tinha clientes que lhe chegassem! Lá está, deve ser uma seca atender centenas de telefonemas para ter que dizer que o cozido está esgotado para o resto do ano. Como é um gajo cinco estrelas e não é ganancioso, diz que o prémio é bom porque pode vir a trazer benefícios para os colegas vizinhos. A verdade é que nas redondezas há uns 4 ou 5 restaurantes, entre os quais alguns normalíssimos que não têm o aparato das paredes de pedra antiga, que servem derivados de porcos bem cevados em casa pelos donos. Há um que serve uma travessa de cozido de primeira que vai incluído na diária de 7 euros. É de malucos, não dão valor ao que têm em casa. Pode-se correr o Porto todo que nem por 50 euros se encontra algo parecido. Fico-me por aqui com esta série de 5 postas seguidas e tão cedo não volto a escrever para o blogue. Isto de vir para o blogue de Chaves com a cantiga de que o melhor restaurante de Portugal é de Barroso, o melhor músico é de Barroso, o melhor fumeiro do mundo é de Barroso, a ONU em Barroso, etc, já deve estar a enjoar os amigos de Chaves. O pior é que eu era gajo para fazer mais uma série de 5 postadas neste tom de Barroso é o melhor do mundo! Vou fazer um intervalo e para a próxima o tema vai ser só flaviense.

Luís de Boticas

 

 

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